nunca soube o que eu sou, quem eu sou. um pseudo designer metido a fotógrafo e que tem apreço por todo tipo de arte existente nesse mundinho em que vivo. mas não, ninguém me conhece assim. nem sei se eu mesmo me reconheço assim. quando perguntam: “quem é ele?”, respondem: “é o fulano”. simples, direto, sem nenhuma característica ou algo que me engrandeça. mas aí penso: sempre que eu pergunto sobre alguém, me respondem fazendo referência a algo em que a pessoa seja bom. “é o joão, modelo”, “é o antônio, fotógrafo”, “é a ana, que trabalha na loja tal”. sempre o nome acompanhado daquilo que é característica da pessoa. mas comigo não, comigo não acontece assim. só que eu sinto falta disso. não da predefinição e limitação da pessoa a uma única característica. mas sinto falta de ser lembrado juntamente com uma, duas, cem. não importa.
(Fonte: threeinthemorning)
- ele é meu amigo.
- esse é meu amigo.
– sempre que você se refere a mim, me apresenta como seu amigo?
- sempre, claro. não somos amigos?
– somos, sim. mas… sei lá, esquece.
- quando você se refere a mim, como é?
– é complicado, não consigo simplesmente dizer que você é só meu amigo, ou te relacionar a algo tão simples assim. é mais que isso, é mais complexo. não sei ao certo o que respondo, mas o que me vem na cabeça é que você é aquele que sempre quero por perto, sempre quero notícias e sempre estarei procurando estar ao lado. penso sempre que é aquele que eu fico mandando sms durante todo o dia, toda a noite, pra contar coisas banais como quando começa a chover, ou que estou preso no trânsito. aquele que eu digo bom dia, boa tarde, boa noite. que eu procuro online quando estou na internet e que me preocupo quando some por algumas horas. penso naquele sorriso que, tímido, se faz presente quando está comigo. penso naquele olhar de lado, receoso, mas tão profundo que me faz mergulhar ternamente e sentir como uma espécie de hipnose. aquele que por pelo menos um ano eu pensei, talvez todos os dias, talvez mais de uma vez em cada um deles. aquele que mantive cautela, que não quis ir rápido, que não quis que acabasse, nem estragasse. aquele que tem minha dedicação, minha atenção, meu esforço. aquele que crio forças e me mantenho firme pra ver alguns segundos que fosse. alguém que eu converso sobre, que minha mãe nunca viu, mas sabe quem é. que meus amigos já estão familiarizados e acham estranho quando não está comigo. alguém que eu penso no passado, penso no presente, penso no futuro. alguém que me motiva, me revive, me acorda, me colore. alguém que me faz sorrir. alguém que eu amo.
(Fonte: threeinthemorning)
não sei o que acontece. é estranho. tão difícil de entender quanto o fato de eu não gostar de feijão. é um caso isolado, é uma particularidade que me assusta. por que tanta hesitação? por que não dar uma chance? por que não tentar, não arriscar? por que o medo de ser feliz? por quê? é mais estranho tudo isso sabendo que te faço bem, que te acolho, que te consolo, que te faço feliz. e nem namoramos, nem temos nada oficial. só permanecemos juntos, sem nem estar. só queremos o outro, sem no tempo pensar. será por falta dos dizeres? será por falta daquelas três simples palavras que ainda não disse? nada sei, a não ser o fato de que por falta de demonstrações, insistências e dedicação não foram. mas eu ainda quero, ainda serei, com você.
(Fonte: threeinthemorning)